para homenagear a pajé Zeneida Lima em 2027
Estrelas veteranas e jovens talentos marcaram a noite, formando um celeiro de bambas no coração de Nilópolis. Entre elas, estavam ícones como Pinah; Neguinho da Beija-Flor; Soninha Capeta, Raissa Oliveira e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso.
Quadros mais recentes, Jessica Martin e Ninno do Milênio, intérpretes da Beija-Flor, fizeram parte de belos momentos da noite: cantaram para saudar Zeneida e Nossa Senhora de Nazaré, a Nazinha, de quem ela é devota. O ator Samuel de Assis também integrou o ato, vocalizando uma prece pela padroeira do Pará.
A quadra lotada mobilizou, junto dos nilopolitanos, sambistas de todas as matizes dedicados ao legado de Zeneida. A lista incluiu, por exemplo, as rainhas de bateria da Mangueira (Evelyn Bastos), da Mocidade (Gaby Mendes) e da União de Maricá (Rayane Dumont).
Outros grandes nomes chamaram atenção, como Giovanna Lancellotti (que é destaque da Beija-Flor), Pedro Scooby, Lívia Andrade, Milton Cunha, entre outros: uma legião de apaixonados pela Deusa da Passarela.
Em 2027, a Beija-Flor desfila no Domingo de Carnaval (a segunda da noite) com o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, em parceria com os pesquisadores Bruno Laurato, Guilherme Niegro e Vivian Pereira.
Confira abaixo a letra do samba campeão, assinado pelos compositores Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire:
VOLTEI GUIADA PELO VENTO
Trago cada elemento
Que da natureza emana
Auí fez de mim seu instrumento
Sob a lua, o encantamento da magia caruana
Do girador, princípio e criação
A pajerama então
Anhanga foi flechar
Dezessete dias amarrada no cipó
Eu, filha das águas, floresci em minha fé
Foi o meu chamado, mas eu não estava só
A mata me assentou pajé
É de pena e maracá!
É de pena e maracá!
Eu sou cabocla com herança africana
Mestre Mundico me ensinou a dar o nó em caruá!
Eu tenho a alma nilopolitana!
Eis-me aqui
O tronco forte que nasceu marupá
Raiz do Norte, sem jamais se curvar
Que Mãe Nazinha abençoou
Quem desvelou a missão dos ancestrais e construiu
Enraizou o fundamento que liberta o Brasil
Vem no balanço do siriá
Marujada e carimbó
Quem ensina é aguaguará
No curumim vi o futuro no olhar
A Baixada a invocar a força marajoara
Do povo eu sou, muiraquitã
Pajé Zeneida, soberana, campeã
(INCORPORA)
Ê… incorpora, caboclo!
Incorpora, caboclo!
Quero ver incorporar!
Do ventre do meu Pará, o pó de louro soprou
Comunidade, Caruana Beija-Flor!
